Friday

Metas de Aprendizagem





Indicar os motivos da crise do Império português a partir da segunda metade do século XVI.  

Descrever os factores que estiveram na origem da perda de independência portuguesa em 1580

Relacionar a crise do Império espanhol e as suas repercussões em Portugal em termos de descontentamento face ao seu domínio. 

Relacionar o incumprimento das promessas feitas por Filipe I, nas cortes de Tomar, pelos seus sucessores com o crescente descontentamento dos vários grupos sociais portugueses. 

Descrever os principais acontecimentos da Restauração da independência de Portugal no 1.º de Dezembro de 1640.

Conhecer e compreender a afirmação política e económica da Holanda e da Inglaterra,nos séculos XVII e XVIII





  

Da União Ibérica à Restauração

Tuesday

O Norte da Europa ganha vantagem

A União Ibérica



Esquema Conceptual


A crise do Império Português do Oriente

Chegada de pimenta a Lisboa


Por volta de meados do século XVI, o Império Português do Oriente apresentava alguns sinais de crise, que se reflectiam na redução do número de navios que parti­ram para a índia e do volume de especiarias vindas pela rota do Cabo. Em 1549, o rei de Portugal mandou encerrar a feitoria portuguesa de Antuérpia.

Mais evidente a partir de 1570, essa crise era devida a:
. reanimação das rotas do Levante pelos Árabes e Turcos, que tinham decaído com a criação da rota do Cabo, controlada exclusivamente por Portugal;
. prática de monopólio régio do comércio das especiarias mais lucrativas, não deixando aos particulares a participação nesse comércio;
. elevadas despesas da coroa com a manutenção do Império, que muitas vezes ultrapassavam as receitas;
. desvio dos lucros obtidos no comércio para despesas de luxo e compra de terras e casas, não se investindo no desenvolvimento da agricultura e da indústria;
. aumento do número de naufrágios devido ao excesso de carga dos navios, fracos conhecimentos náuticos dos pilotos e ataques de piratas e corsários,
. concorrência de Holandeses, Ingleses e Franceses, que disputavam aos Portugueses o controlo do comércio e dos domínios ultramarinos.

Em resultado da crise do Império Português do Oriente, a coroa portuguesa volta os seus interesses para o Brasil, nomeando o 1º governador-geral, Tomé de Sousa, em 1549. A crescente importância do Brasil inicia a viragem da economia portuguesa para o Atlântico.

A Crise do Império Português do Oriente

O império português e a concorrência internacional

A carreira da Índia



No reinado de D. João 111 (1521-1557), o nosso país atravessou um período de grandes dificuldades : falta de dinheiro nos cofres do Estado, abandono de praças no Norte de África, encerramento da feitoria de Antuérpia, ataques a praças portuguesas do Oriente.
A partir de então, a situação do Império Português do Oriente piorou. A imoralidade e a corrupção atingiram funcionários e sol­dados portugueses. Por falta de dinheiro, as frotas que partiam para a Índia eram cada vez em menor número. A tradicional rota terrestre das especiarias (através da Ásia Menor e do Mediterrâneo Oriental) recuperou parte do movimento que tinha perdido com a descoberta da rota marítima para a Índia. Em consequência, a exploração da rota do Cabo deixou de ser monopólio do Estado e abriu-se a sociedades de capitais privados. Por outro lado, muitos dos barcos carregados de mercadorias orientais eram apresados por corsários (franceses,holandeses, ingleses) ou vítimas de naufrágios.

Monday

A viragem para o Atlântico e a perda da Independência

A Crise do Império


Na Corte, os gastos aumentaram sempre.
Grande parte da nobreza vivia de tenças e de prestações diversas pagas pela fazenda real e não seria politicamente sensato reduzi-las. À nobreza de corte acrescia uma série de fun­cionários que se multiplicavam por muitas das repartições públicas e que não cessavam de aumentar. Os compadrios e as eternas «cunhas» eram de tal ordem que o rei D. João III foi forçado a proibir novas nomea­ções a fim de evitar o agravamento das des­pesas.
(Dias depois, o mesmo rei mandou criar um lugar para um filho de um seu criado. À crítica de um ministro o rei respondeu: «Neste país de compa­dres, só o rei não pode ter o seu compadre?»)

Conceitos




Mare liberum - no século XVII o poderio de Portu­gal e da Espanha decaiu e os países do Norte da Europa entraram na concorrência do comércio colonial e, consequentemente, da navegação nos mares: a teoria do mare liberum (mar livre) ven­ceu a do mare clausum; o monopólio ibérico defi­nido no Tratado de Tordesilhas foi substituído pela concorrência dos mares.

Companhias de comércio -
grandes sociedades comerciais, geralmente com muitos sócios e com vultoso capital, constituídas nos séculos XVII e XVIII, para praticar o grande comércio ultramarino (das especiarias, do açúcar, dos escravos.. .). Um dos sócios podia ser o Estado.

Bolsa - estabelecimento oficial onde se reúnem homens de negócios ou seus representantes para comprar e vender títulos de crédito (acções).

Banco - estabelecimento de carácter financeiro onde se realizam operações de depósito, câmbio, desconto ou empréstimo, e, em alguns casos, emissão (de notas).

Acumulação de capitais - elemento motor do sis­tema capitalista, que visa a criação de condições que permitem o aumento ininterrupto do capi­tal das empresas de modo a alcançar um acrés­cimo de produção através do reinvestimento.

Capitalismo comercial - sistema económico através do qual os lucros obtidos por meio de actividade mercantil eram novamente reinvestidos propor­cionando novos lucros (as mais-valias).

A Falência do Império Português do Oriente



Toda a riqueza do Oriente passava apenas por Portugal e ia fomentar  o trabalho estrangeiro, que nos fornecia de todas as coisas. As enormes quantidades de dinheiro do comércio das Indias, de Malaca e do Oriente eram mal geridos, deficientemente orientados e, sobretudo, mal gastos. Em vez de um investimento no tecido produtivo do país optou-se por comprar ao estrangeiro o luxo que aqui se ostentava contribuindo para o desenvolvimento desses país. Em vez de se investir na construção naval optou-se por alugar barcos... a particulares e ao estrangeiro. Em vez de se procurar vender os prudutos trazidos do Oriente pelos mercados europeus esprávamos que os viessem buscar a Lisboa. Em 1549 abrirá falência a feitoria portuguesa de Antuérpia.
Portugal era apenas a placa giratória de todos os lucros da Rota do Cabo. Pegávamos na riqueza da Índia e íamos levá-la ao norte da Europa, à Flandres, à Holanda, à França e a Inglaterra.
Na gestão do comércio e dos negócios do reino não constava a política de fixação de riqueza, o reinvestimento na criação e desenvolvimento das actividades produtivas manufactureiras, de construção naval, de desenvolvuimento agrícola....
Não admira por isso que passados apenas 30 anos estivéssemos em enormes difuculdades económicas e financeiras.

"As fomes sucediam-se e era necessário endividar-se a Coroa para comprar cereais no mercado da Flandres. (...) Pediam-se empréstimos ao estrangeiro a juros altíssimos.
O País importava de Africa todos os anos, segundo diz um escritor, 338 000 moios de trigo e 670 000 de cevada. Em fins de 1543,deviam-se na Flandres somas enormes, além das que se tomavam em letras «a tão altos preços que se dobra a dívida em quatro anos".


(António Sérgio, Breve Interpretação da História de Portugal)

Esquema Conceptual


Saturday

O Império Português


Os Impérios Europeus (Séc.XVI)
Nos inícios do século XVI, em resultado do esforço de soldados, marinheiros e membros da Igreja, constituiu-se o Império Português do Oriente, que tinha Goa por capital. Muito vasto, estendia-se desde a costa de África à Indonésia, Macau e Japão. Era essencialmente um império comercial e marítimo que assentava em feitorias e fortalezas espalhadas pelo Índico e pelo Pacífico.Mas a presença portuguesa foi desde cedo contestada pelos naturais- Árabes, Persas, Egípcios, Indianos -, afectados na sua liberdade e nos seus interesses económicos.
A partir de meados do século XVI, o Império Português do Oriente entrou em decadência.





Objectivos de Aprendizagem



Situar no espaço e no tempo os acontecimentos

Explicar as causas e a origem da contestação à Igreja Católica

Compreender o papel do ambiente renascentista para a eclosão da Reforma Protestante

Apontar diferenças entre o pensamento católico e as propostas dos contestatários (Lutero e Calvino) .

Explicar em que consistiu a Contra-Reforma

Apontar as principais medidas tomadas pela Igreja Católica para fazer face ao avanço do protestantismo 

Reconhecer o impacto da atuação da Inquisição em Portugal, ao nível da produção cultural e científica, da difusão de ideias e controle dos comportamentos.      



Conceitos

Reforma
Contra-Reforma
Indulgências
Inquisição
Index
Cristãos-Novos



Materiais de Apoio

Wednesday

Objectivos de Aprendizagem


A Criação de Adão (detalhe)
M. Ângelo, Capela Sistina


Localizar os principais focos de difusão cultural nos séculos XV e XVI.

Explicar as condições que favoreceram o surgimento do Renascimento na Itália.

Caracterizar a nova mentalidade do homem renascentista em oposição à mentalidade medieval

Descrever as características do Humanismo renascentista.

Compreender a importância da imprensa na divulgação dos novos valores e atitudes no campo do pensamento e da literatura.

Identificar as principais figuras do humanismo e da literatura renascentista europeia e algumas
das respectivas obras.

Relacionar o desenvolvimento da curiosidade face à Natureza com o espírito crítico renascentista e com as grandes viagens marítimas.

Mencionar os progressos do conhecimento nos séculos XV e XVI.

Caracterizar a arte renascentista ( arquitectura, escultura e pintura) identificando autores e obras.

Thursday

Objectivos de Aprendizagem



Localizar no tempo e no espaço a crise do século XIV.


Enumerar os factores que levaram à crise do século XIV

Avaliar as consequências da crise (sociais, económicas, políticas, demográficas, culturais).

Ler e interpretar  gráficos

Comparar a crise económica e social da Europa com a crise económica e social de Portugal.

Identificar os problemas do reino de Portugal que, dentro do quadro da crise económica europeia, conduziram à uma crise política de 1383.

Justificar a importância da batalha de Aljubarrota.

Localizar no tempo e no espaço o expansionismo europeu.

Compreender como é que o mundo era visto, então, pelos europeus.

Enumerar os motivos da expansão europeia.

Explicar a prioridade portuguesa no arranque da expansão.

Justificar a importância da caravela nas viagens de descoberta.

Mostrar o interesse de toda a sociedade portuguesa na expansão.

Explicar os interesses que estavam na base da expedição portuguesa a Ceuta.

Referir as principais razões do fracasso da expedição a Ceuta.

Destacar o papel desempenhado pelo Infante D. Henrique nos Descobrimentos.

Enumerar as principais fases da descoberta e exploração portuguesas

Comparar a política de conquistas de D. Afonso V com a política expansionista de D. João II.

Relaciona a rivalidade entre Portugal e Castela com a descoberta da América por Cristóvão Colombo.

Analisar a importância do Tratado de Tordesilhas.




Materiais

Friday

O Iluminismo na Europa e em Portugal- Objectivos de Aprendizagem







Caracterizar a arte e a mentalidade barrocas

Conhecer e identificar autores e obras do barroco internacional e português ( Escultura, arquitectura e pintura)

Explicar e descrever o método científico

Conhecer alguns dos avanços científicos do séc XVII-XVIII

Identificar e explicar as principais resistências aos avanços científicos em Portugal nos séc XVI-XVII

Identificar os principais iluministas, suas ideias e obras.

Mostrar como se integrou Portugal no movimento Iluminista Europeu

Definir o conceito de Estrangeirado.

Descrever as reformas pombalinas no ensino em Portugal

Conhecer os principais iluministas/estrangeirados portugueses.

Conceitos: Iluminismo, racionalismo, Soberania Popular, Separação dos poderes, estrangeirado, laicização do ensino



Materiais


Saturday

O FUTURO DO HOMEM

Emile Nolde, Seara
As nossas esperanças sobre o estado futuro da espécie humana podem reduzir-se a estes pontos importantes: a destruição da desigualdade entre os homens e, finalmente, o seu aperfeiçoamento.
Chegará o momento em que o sol só iluminará homens livres que apenas obedecerão à razão; em que os tiranos e os escravos... já não existirão.
Por uma escolha feliz, não só dos próprios conhecimentos mas também dos métodos de os ensinar; pode instruir-se a massa inteira dum povo acerca de tudo o que os homens têm necessidade de saber sobre economia, admi­nistração, industria e direito... para serem senhores de si próprios.
A igualdade de Instrução corrigiria a desigualdade das aptidões, assim como uma legislação preventiva diminuiria a desigualdade das riquezas, acele­raria o progresso das ciências e das artes, multiplicando os artistas num meio que lhes fosse favorável. O efeito seria um aumento de bem-estar para todos.

Condorcet, Esboço de um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano,1793

LIBERDADE E IGUALDADE


(...) sendo todo o homem livre e senhor de si próprio, ninguém pode sob qualquer pretexto submetê-lo contra a sua vontade. Decidir que um filho de escravo nasça escravo, é decidir que ele não nasça homem.
(...) O cidadão aceita todas as leis, mesmo aquelas que o contrariam e mesmo aquelas que o castigam quando ele violar alguma.A escolha consciente de todos os membros do estado é a vontade geral; é essa que deve prevalecer.

J. J. Rousseau, Contrato Social

(…) É este o problema funda­mental a que o contrato social dá solução. (...) O governo re­cebe do soberano as ordens que ele dá ao povo, e para que o Estado esteja num bom equi­líbrio é preciso, com todas as compensações, que haja uma igualdade entre o produto ou o poder do governo tomado em si próprio e o produto ou o poder dos cidadãos, que são soberanos por um lado e súb­ditos por outro.

Jean-Jacques Rousseau, o Contrato Social, 1762


VALOR DA RAZÃO

Francisco Goya, O sono da Razão engendra Monstros
A razão está para o filósofo tal como a graça está para o cristão. A graça obriga o cristão a agir; a razão obriga o filósofo... Ele gosta de saber os mais pequenos detalhes e de aprofundar tudo o que mal se adivi­nha; assim, olha como sendo um princípio totalmente oposto ao pro­gresso das luzes do espírito o facto de se limitar somente à meditação e de acreditar que o homem não encontra a verdade senão no fundo de si próprio. (...) O espírito filosófico
É um espírito de observação e de justiça que relaciona tudo com os seus verdadeiros princípios (...).
O filósofo é, em suma, um homem honesto que age em todas as circunstâncias pela razão e que junta a um espírito de reflexão e de justiça os costumes e as qualidades sociáveis.

Diderot, "Filósofo ", in Enciclopédia

DEFESA DA TOLERÂNCIA

Não é ao homem que eu me dirijo, é a ti, Deus de todos os seres de todos os mundos e de todos os tempos...
Tu não nos deste um coração para odiar e mãos para matarem: faz com que nos ajudemos a suportar mutuamente o fardo de uma vida penosa e passageira; que as pequenas diferenças, entre as vestes que cobrem os nossos pobres cor­pos, entre os nossos costumes ridículos, entre todas as nossas leis imperfei­tas, entre todas as nossas opiniões insensatas, que distinguem os átomos chamados homens, não sejam sinal de ódio e perseguição; que todos aqueles que acendem círios em pleno meio-dia para te louvar, suportem os que se con­tentam com a luz do teu sol; os que se cobrem com um pano branco para dize­rem que é necessário amar-te, não detestem os que dizem a mesma coisa sob um manto de lã negra...

Voltaire, in Traité sur Ia Tolérance, 1763

Portugal - Resistência à Modernidade


Os mestres de filosofia não se apartem de Aristóteles em coisa alguma de importância, a não ser que se ofereça algum ponto contrário à doutrina que defendem geralmente as Universidades. Entendam também que, se houver alguns Mestres inclinados a novidades ou de engenho demasiado livre, devem ser removidos sem falta do ofício de ensinar.

Regras para a escolha de opiniões nos filósofos, Congregação Geral da Companhia de Jesus, 1565

Nos exames ou lições, conclusões públicas ou particulares, se não ensine opiniões novas pouco recebidas ou inúteis para o estudo das sciencias maiores, como são as de Renato Descartes, Gasendo Neptono (Newton) e outros, e nomeadamente qualquer sciencia que defenda os actos (atomos) de Epicuro ou negue as realidades dos accidentes eucharisticos ou outras quaesquer conclusões oppostas ao systema de Aristóteles, o qual n 'estas escholas se deve seguir, como repetidas vezes se recomenda nos Estatutos d'este Collegio das Artes.

Edital do Colégio das Artes (1746). cito in TeófiloBraga, História da Universidade de Coimbra


Todos aqueles que tenham redigido, ou mandado redigir ou imprimir, escri­tos tendentes a atacar a religião, a atingir a nossa autoridade e a perturbar a ordem e a tranquilidade dos nossos estados, serão condenados à morte. Todos os que tiverem imprimido as referidas obras, as livrarias, os bufarinhei­ros (vendedores de bugigangas) e outras pessoas que os tiverem espalhado pelo público serão igualmente condenados à morte.
Recolha de Isambert, decreto de 16 de Agosto de 1757




Portugal - Expulsão dos Jesuítas e Reforma do Ensino

Eu, EI Rei, (...) sou servido privar inteira e absolutamente os Religiosos Jesuítas dos Estudos de que os tinha mandado suspender para que, do dia da publicação deste alvará em diante, sejam extintas todas as Classes e Escolas que lhes foram confiadas, com tão perniciosos e funestos efei­tos, opostos aos fins da instrução e da edificação dos meus fiéis vassalos, abolindo-se até a memória das mes­mas Classes e Escolas como se nunca houvessem existido nos meus Reinos e Domínios onde têm causado tão enormes danos e tão graves escândalos. (...)
E sou servido da mesma sorte ordenar que no ensino das Classes e no estudo das letras humanas haja uma geral reforma, mediante a qual se reponha o método antigo, reduzido aos termos simples, claros e de maior facilidade, como se pratica actual­mente nas nações polidas da Europa, conformando-me, nesta determina­ção, com o parecer dos homens mais doutos e instruídos.

D.José I Alvará de 28 de Junho de 1759 (adaptado)